RESENHA CRITICA DO LIVRO: “O QUE É IDEOLOGIA”
Filosofa e escritora Marilena Chauí, explica o que é e como funciona a ideologia, em seu livro “O que é Ideologia”,(Editora Brasiliense). Nele a autora procura dar uma ênfase mais profunda ao assunto, expondo de forma um pouco complexa mais objetiva a concepção de grandes pensadores. No entanto, para Marilena chegar ao conceito do titulo, ela explora desde o histórico até a relação entre cultura e ideologia. Segundo ela, a ideologia é um ideário histórico, social e político que oculta a realidade. Aristóteles contribui para essa tese com a teoria das quatro causas: causa material, responsável pela matéria de alguma coisa, causa formal, responsável pela essência ou natureza da coisa, causa motriz ou eficiente, responsável pela presença de uma forma em uma matéria e causa final, responsável pelo motivo e pelo sentido da existência da coisa.
Para Marilena, existem duas atividades que são movidas pela teoria de Aristóteles das 4 causas: a Práxis e Poiésis. A primeira é a atividade ética e política, própria dos homens livres que são dotados da razão e a vontade para escolher uma ação. A segunda é uma atividade técnica, de rotina mecânica em que um trabalhador é uma causa eficiente (artesão) que introduz uma forma em uma matéria e fabrica um objeto para alguém (usuário e causa final da fabricação).
Segundo a escritora, o homem é dividido entre corpo (natureza) e espírito (vontade de ser livre), sendo que o corpo é a causa eficiente (externa),e o espírito é a causa final (interna), que segundo a ideologia da época era a mais importante. Assim com a junção do corpo e do espírito o homem torna-se capaz de dominar e transformar.
Surgindo a nova sociedade, as transformações vão se evidenciando e o “novo homem” passa a valorizar o trabalho e a si mesmo e não mais é valorizado pelos laços consangüíneos determinantes de antes.Com isso a partir de estudos de Lutero e Calvino, são determinados dois tipos de homem: o burguês, que trabalha pela liberdade e por vontade, sendo geralmente donos dos meios de produção e o trabalhador, que trabalha por necessidade e mesmo livre da escravidão torna-se escravo do salário.
A relação entre realidade e ideologia é um tema também muito questionado no livro. Realidade é relativa e varia de acordo com o ponto de vista de cada um. O real surge antes da ideologia e o ideólogo transforma o primeiro (real) no segundo (ideologia). “Um dos traços fundamentais da ideologia consiste, justamente, em tomar as idéias como independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade que torna compreensíveis as idéias elaboradas”.(p10)
De acordo com o livro, o termo ideologia foi usado por ideólogos franceses que possuíam idéias calcadas no real, mas que, segundo Napoleão Bonaparte, não sabiam relacioná-lo (termo) devidamente com a realidade, já que o mesmo condenava a ideologia.
Marx demonstra que a concepção positivista de ideologia é na verdade ideológica. Para ele, no sistema capitalista, o social é transformado em coisa (mercadoria) e estas por sua vez são transformadas em social. Por esse motivo o homem acaba se tornando alienado, refinado e fetichista.
Marilena também afirma que o Estado surge com a finalidade de realizar os interesses gerais, entretanto na maior parte das vezes somente uma parcela da sociedade é beneficiada , gerando a luta de classes que acaba por virar cotidiano da sociedade civil.
Segundo Chauí, a ideologia não é um processo subjetivo consciente e sim um fenômeno objetivo e subjetivo involuntário produzido pelas condições objetivas a existência social dos indivíduos.
No livro, a luta de classes aparece como um instrumento de dominação de uma classe sobre a outra. Esse instrumento funciona muito bem por diversos motivos: separa o trabalho material do intelectual, mantém a ideologia separada da realidade e oculta a dominação real. A classe mais baixa acredita que não há o que fazer para mudar sua condição. E a ideologia burguesa reforça tal afirmação (manipula) para que essa classe não se rebele e fique onde está.
A ideologia, de acordo com a autora é determinada por fenômenos, tais como: soma da divisão social do trabalho com a separação do trabalho material em intelectual e material, autonomia do trabalho intelectual em relação ao material vinda dos intelectuais, divisão da sociedade em classes, e etc. Uma classe só é hegemônica porque seus valores são dominantes. E ela entra em crise quando os mesmos começam a ser questionado e começa-se a não aceitar mais a dominação.
“O que é ideologia”, portanto, nos faz refletir sobre assuntos que nunca paramos para pensar: ideologia, apontando desde sua origem ate suas funções e relações com a realidade. Além disso, a autora apesar de utilizar uma linguagem um pouco confusa, ela consegue transmitir o complexo conceito de ideologia, baseando-se em filósofos como (Aristóteles), sociólogos como (Marx), entre outros. É um livro com opiniões consideradas de esquerda e bastantes marxistas.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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